Eu treinei viver sem você, eu treinei porque você sempre achou um absurdo o tanto que eu precisava de você para estar feliz. De tanto treinar, acostumei.
Era ofegante lhe amar. Pensar nas palavras certas, no momento certo e no movimento perfeito da boca, sempre pra nunca estragar o que Deus fez perfeito, era cansativo. A respiração acelerava e cansava quando virava de costas, tirava a camisa, colocava o bendito cabelo pra atrás da orelha, me afagava nos seus longos e frios braços, encostava os lábios na minha testa… Era como uma corrida diária de 10km que me fazia suar e me pedir água, mas me dava energia pra continuar e correr mais no próximo dia. Você era praticamente da velocidade de uma montanha-russa, do percurso de uma, dos rodopios, das quedas e principalmente da adrenalina, da emoção e do medo que me causava.
Ontem você saiu, pegou os chinelos, demorou mais de cinco minutos no banheiro. Eu gritei e você não respondeu. Não devolveu as sandálias pro lugar ao lado da minha e nem voltou pra cama. Disse que não era o momento de ser meu e usou as benditas palavras: Eu quero viver…
Hoje você vive. Me liga. Me pede beijo. Me diz que sou perfeita. Mas de tanto esperar você voltar a esfriar meus pés e entrelaçar minhas mãos, eu cansei! Esperei deitada, sentada, em pé e logo deitei, cansei, dormi. O ticket da montanha-russa acabou, o carrinho voltou, a respiração acalmou e eu voltei pro solo firme e nem tão perfeito assim.
Você não tinha cavalo branco, armadura, espada e nem coroa, mas era um verdadeiro e perfeito príncipe pra mim.
Eu te amei. Eu te amei muito. E há quem diga que eu ainda te amo. Você só não é mais perfeito. Só não tem mais braços longos e frios, pelo menos os meus braços longos e frios. O seu sorriso não pára o mundo e sua mão não me tranpostar pra uma outra realidade. Você só me traz saudade da venda que eu coloquei no rosto por pensar que um dia a perfeição existisse e que ela existiria em você.
Todo dia eu penso: podia sentir menos e menos e menos. Mas não adianta, tudo me atinge, abala, afeta, arrebata, maltrata, alegra, violenta de uma forma absurda e intensa. Nasci pra ser intensa e dramática.